ST 10 - Indígenas, camponeses e quilombolas: métodos e abordagens na construção da historiografia brasileira

Autores

Ayalla Oliveira Silva

Mestre em História pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Doutoranda em História pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

ayallasilva@yahoo.com.br

Grazieli Eurich

Mestre em História pela Universidade Estadual de Maringá

Doutoranda em História pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

graeurich@hotmail.com

Tatiana Gonçalves de Oliveira

Mestre em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora

Doutoranda em História pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

tatih.oliveira@hotmail.com

George Leonardo Seabra Coelho

Doutor em História

Universidade Federal do Tocantins

george.coelho@hotmail.com

Ementa

Pretendemos neste simpósio discutir questões epistemológicas e dar vozes às narrativas silenciadas pelas relações de poder advindas da colonização europeia. Pelo menos até a década de 1970, historiadores e antropólogos tenderam a analisar as relações do pós-contato colonial como o encontro no qual os colonizadores teriam imposto sua cultura, organização social aos “dominados”, sobretudo, índios e negros escravizados, que tentavam manter, sem sucesso, o seu modo de viver. Portanto, era a história do choque entre mundos opostos, no qual seria enviesada a crônica da destruição, de submissão à “razão civilizatória”. Por muito tempo estas disciplinas produziram o silêncio dos diversos atores e apagaram suas trajetórias históricas. Desse modo, parecia ainda muito arraigada na historiografia brasileira a afirmação de meados do século XIX, de que os índios, quilombolas e camponeses não tinham História. Contudo, a década de 1980 foi palco de uma reorientação de pressupostos teóricos e metodológicos com correspondência com a própria luta dos movimentos sociais no Brasil, o que provocou reconfigurações decisivas na pesquisa histórica, principalmente, através da exploração de novos arquivos e documentos. Também o diálogo entre diferentes disciplinas, como a história e a antropologia, foram capazes de tirar essas comunidades tradicionais da condição de simples objetos da colonização ou povos em vias de desaparecimento pela modernização da sociedade. Com a visibilidade de pesquisas cada vez mais crescentes acerca do protagonismo dos “esquecidos da história”, enquanto sujeitos históricos, as temáticas sobre índios, escravos e escravidão, quilombolas, comunidades camponesas, mulheres, pobres, dentre outras, deixaram o lugar marginal que ocuparam na historiografia brasileira. Nesse sentido, a presente proposta temática almeja ser um espaço para apresentação de pesquisas novas e em andamento, fomentando o debate sobre perspectivas conceituais, metodológicas e dialógicas que colaborem no entendimento dessas comunidades na História do Brasil. Para melhor direcionar o trabalho a ser desenvolvido nesse simpósio, priorizamos, além de pesquisas voltadas para a temática indígena, campesina e quilombola, também estudos que se dediquem aos movimentos migratórios decorrentes de perseguições religiosas e étnicas, políticas ou econômicas, em contextos e temporalidades amplas.


Programação das mesas

Mesa 1 - Sala 3112 9 de Maio de 2017 as 13:00 até 15:00
Autores Titulo
Maria Cristina Machado de Carvalho
Vivências de famílias camponesas no Recôncavo da Bahia, 1900-1910
PATRICIA FERNANDA HELIODORO DOS SANTOS
DISCRIMINAÇÃO, PRECONCEITO E RACISMO NO COTIDIANO DAS MULHERES NEGRAS NO BRASIL.
Thálita Maria Francisco da Silva
Silvania Ferreira Nunes Mandú
A EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DE PROFESSORES: CONTRADIÇÕES REFERENTES À INCLUSÃO DIGITAL NAS COMUNIDADES QUILOMBOLAS KALUNGA DE MONTE ALEGRE DE GOIÁS
Mesa 2 - Sala 3112 9 de Maio de 2017 as 15:00 até 17:30
Autores Titulo
Helena Azevedo Paulo de Almeida
Nutrir o espírito ou nutrir o corpo?: possibilidades de narrativa sobre rituais antropofágicos em livros de leitura do século XX
Diego Leandro Lima Pereyra
Da oralidade à escrita: novos caminhos dos conhecimentos tradicionais indígenas
Gustavo Uchôas Guimarães
Uma visão dos indígenas do sul de Minas nos relatos de alguns memorialistas
Ionielle Santos Paula de Souza
ORALIDADE E EDUCAÇÃO: EXPERIÊNCIAS NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA O CAMPO NO MUNICÍPIO DE ARRAIAS-TO
George Leonardo Seabra Coelho
O MODERNISMO RICARDIANO E A POÉTICA DO MARTIM CERERÊ: A TRANSFORMAÇÃO DO MUNDO RURAL E A CIVILIZAÇÃO DOS SERTÕES
Mesa 3 - Sala 3112 10 de Maio de 2017 as 13:00 até 16:00
Autores Titulo
Ayalla Oliveira Silva
Aldeamentos e colônias nacionais agrícolas: descontinuidades e interações entre os “diferentes” projetos imperiais no Sul da Bahia
Grazieli Eurich
De encontro com a política: as lideranças indígenas Kaingang na demarcação de seus territórios no Paraná, final do séc. XIX e início do séc. XX
Mateus Rezende de Andrade
Migração e posse de terras: propostas metodológicas para o uso das Cartas de Sesmarias no estudo da formação territorial de Minas Gerais (1710-1835)
David Barbuda Guimarães de Meneses Ferreira
Demarcação de terras indígenas no Brasil colonial: o caso da aldeia do Siri e da aldeia de Natuba.
Tatiana Gonçalves de Oliveira
Processo de expropriação de Terras indígenas no Espírito Santo (1850-1889)

Apoios

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